Estúpida maneira esta, que esta sociedade tem, de pensar que a ignorância e a rudeza são contagiosas! Outrora dei por mim a pensar exectamente assim; que se me relacionasse com pessoas que não se exprimiam tão correctamente quanto aquilo que me tinha sido estipulado enquanto cresci, me tornaria num alvo fácil por perda de uma das faculdades que mais gosto em mim, a contra-argumentação, o pensamento rápido e a facilidade de exprimir tudo aquilo quanto sinto ou penso.
Por uma vez baixei essas barreiras. O que me aconteceu? Fui inundada pelo sentimento mais nobre, cruel, verdadeiro e esmagador que alguma vez assisti. Tanta antítese naquilo que escrevo, só demonstra a miscelânea de situações que vivi durante alguns tempos. Vivi tempos perfeitos, senti uma felicidade, que com todas as palavras que a possa descrever será reduzida a quase nada, reconheci lugares que outrora desinteressantes se tornaram de excelência, por poucos conhecida. Momentos mais tarde esta minha condição de humanóide, tão frustrante se tornou, quando tive de aprender que a felicidade não se limita a ganhos, mas também a perdas e que esta felicidade tão desejada não se limita a ser duradora, é intensa enquanto existe, é forte só por si, mas precisa de ser valorizada e sentida. E por isso tem de se ausentar para ser desejada, para sentir que é querida. Aliás não é assim com tudo? Não nos leva sempre a vontade a querer aquilo que não temos e nos é mais díficil de ter do que a darmos valor ao que de facto temos... Pois bem, alguém quis que eu aprendesse essa lição e deu-me a conhecer o fosso que existe dentro daquilo que muitos dizem ser excluviso nosso, a alma. Seja lá o que for, eu senti que me estava a atirar de cabeça bem lá para o fundo e consegui!
Entrei, outra vez, na minúscula estupidez de achar que a maneira de certas pessoas agirem era inferior. Olhando para trás, sinto-me ridícula por pensar que poderia de facto ser contagioso. Sabem, manter uma distância de segurança, evitar o contacto, tanto visual como físico, sei lá... Se não respirasse o mesmo ar tanto melhor!
Pois é, mas mais uma vez ganhei juízo e deixei que o contacto fosse establecido, por muitas vezes, de vários modos e de facto a intensidade de tudo envolveu-me de um modo estranhamente satisfatório. Não que me fizesse tão feliz como outrora, pois a inocência não é a mesma, mas fez-me ver que afinal por detrás daquilo a que eu queria fugir está algo que me trás algo de novo e bom, que infelizmente ainda não consegui descobri (só espero que não seja de origem animal). Algo que me faz pensar, ouvir-me e sorrir. Faz-me ter músicas dentro da minha cabeça e querer gritar a sua letra bem alto, ainda na sezta passada tinha a lendária unforgettable. E mesmo depois de todas as decepções adjuntas, com as quais contínuo sem saber lidar muito bem (pois não se perdoam, mas aceitam-se, e para aceitar é preciso assimilar umas quantas ideias), continuo a sentir ESTE DESEJO EXACERBADO DE TI.
Mas não conseguirei passar por cima de mim, de novo, para aceitar a felicidade e uma nova decepção. Por ter dito que não sabia lidar bem com esta última permaneço onde pertenço. À terra onde ninguém é injusto, onde sei que não preciso de pensa sobre nada disso e onde sei que não preciso de ter os olhos bem abertos para fugir à estupidez do Mundo, onde me posso deixar fluir e sentir com tanta intensidade tudo e ter de antemão a certeza que não me vou arrepender. E o lugar, sabes qual é!